Amilcar de Castro

Amilcar de Castro (1920-2002) – Escultor, gravador, desenhista, diagramador, cenógrafo, professor.

Amilcar Augusto Pereira de Castro nasceu em 8 de junho de 1920 em Paraisópolis, sul de Minas Gerais.  Em 1936, muda-se com a família para Belo Horizonte e ingressa na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, onde permanece entre os anos de 1940 a 1945.

O período que esteve na faculdade foi marcado por movimentos convulsivos internacionais e nacionais: eram tempos de nazifascismo, de regimes totalitários, Segunda Guerra Mundial e o Estado Novo. Em 1943, o histórico Manifesto dos Mineiros elaborado por intelectuais de Belo Horizonte, torna-se um marco histórico na luta pelo fim do Estado Novo.  Amilcar, não alheio a esse processo, participa das campanhas da Esquerda Democrática, contribuindo com a produção de folhetos e cartazes feitos artesanalmente.

Durante este período, Juscelino Kubitschek (futuro presidente do Brasil) era prefeito de Belo Horizonte e além da implementação do conjunto da Pampulha, inaugura a Escola de Arte Moderna como parte do seu plano desenvolvimentista. Convida Guignard (1896 – 1962) para dar aulas experimentais que foram assistidas informalmente pelo jovem Amílcar. Estas aulas tiveram tal efeito sobre o jovem, que, em 1944, decidiu ingressar na primeira turma do Instituto de Belas Artes, com intuito de frequentar exclusivamente as aulas de Guignard, cuja base do ensino era o desenho, muitas vezes feito com lápis duro, 6H, representando um convite à precisão.

Em 1948, Franz Weissmann (1911 – 2005), a convite de Guignard assume as aulas de escultura do Instituto de Belas Artes. Com ele, Amilcar descobre os espaços, os vazios ou contraformas gerados na relação figura fundo das esculturas.

Em 1952 casa-se e no mesmo ano muda-se para o Rio de Janeiro. Em viagens a São Paulo, Amilcar estreita vínculos com Alfredo Volpi, Aluísio Carvão, Willys de Castro e Lygia Pape.

No ano seguinte, começa a trabalhar como diagramador em diversos periódicos, enciclopédia e livros;  destacando-se a reformulação visual que propôs ao Jornal do Brasil. Com este trabalho, Amilcar torna-se um marco na história do jornalismo brasileiro, sendo tomado como modelo, inclusive para publicações estrangeiras. Seu prestígio como artista gráfico cresce, na mesma proporção em que é notada sua atividade de escultor.

O manifesto Neoconcreto e a Teoria do Não-objeto é publicado na edição de 21 de março de 1959 do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, assinado por Ferreira Gullar, seu redator, Amilcar de Castro, Cláudio Mello e Souza, Franz Weissmann, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Lygia Pape, e os poetas Reynaldo Jardim e Theon Spanudis.

No ano de 1960, ao lado dos artistas concretos e neoconcretos de São Paulo e do Rio, entre os quais, Franz Weissmann, Aluízio Carvão, Willys de Castro, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Mary Vieira, Amilcar participa da exposição Konkrete Kunst, organizada por Max Bill, na Helmhaus, em Zurique, Suíça. Nessa importante exposição, o curador apresenta amplo panorama retrospectivo de 50 anos da produção internacional de fundamento construtivo, com ênfase na obra dos artistas concretos contemporâneos.

No ano de 1967  ganha a bolsa concedida anualmente pelo Guggenheim Memorial Foundation, para um período de dois anos em Nova York. Logo em seguida, obtém o Prêmio de Viagem ao Exterior do XVI Salão Nacional de Arte Moderna do Rio, cujos recursos, somados aos da Bolsa, irão lhe propiciar condições mais confortáveis para a permanência, junto com sua família, nos Estados Unidos.

Amílcar levara consigo vários projetos de esculturas, maquetes e desenhos, esperando encontrar recursos técnicos e materiais melhores do que tinha no Brasil, e com a perspectiva de soluções mais adequadas para várias ideias que gostaria de desenvolver. Entretanto isso não ocorre. Não encontra uma oficina capaz de executar os seus projetos, pois estavam acostumadas a uma produção industrial, de modo que, projetos únicos tinham um custo altíssimo.  Também não encontra chapa de ferro como a que usava no Brasil. Começa então a pesquisar outros materiais e descobre o o aço inoxidável.

Com as dificuldades encontradas em Nova York, Amilcar decide transferir-se para uma cidade próxima, Elizabeth, em Nova Jersey. No atelier, dedica-se ao desenho e à elaboração de projetos com aço inoxidável. As esculturas que produz são destinadas à sua primeira exposição individual programada para 1969, na Kornblee Gallery de Nova York, uma galeria especializada em arte construtiva e exclusiva de artistas americanos. A inclusão de Amilcar de Castro na programação da Kornblee comprova o interesse de sua obra, afinada com a orientação vanguardista da galeria e o prestígio que lhe conferem a condição de bolsista da Guggenheim.

Em 1970, quando completa 50 anos, Amilcar realiza mais uma exposição individual em Nova York, desta vez no Convent of Jesus Sacred Heart. Tendo acompanhado o desenvolvimento do trabalho de Amilcar e o seu desempenho nas duas exposições em Nova York, a comissão da Fundação Guggenheim, oferece ao artista a renovação da Bolsa, por mais um período de dois anos.

Em fins de 1971, Amilcar de Castro participa de uma exposição coletiva, no Brazilian Institute of New York University, reunindo quatro artistas latino-americanos: ele, Rubens Gerchmann, Waldo Balart e Alejandro Puentes, encerrando com essa mostra sua temporada americana.

De volta ao Brasil, em 1971, fixou residência em BH, onde tornou-se professor de composição e escultura da Escola Guignard até 1977. Lecionou também na Faculdade de Belas Artes da UFMG entre as décadas de 1970 e 1980. Aposenta-se da docência em 1990 e dedicou-se exclusivamente á atividade artística até sua morte em 2002.

08 x 79 cm nanquim sobre papel

78.0 x 105.0 cm

Nanquim sobre Papel

Link para vídeo: http://portacurtas.org.br/filme/?name=amilcar_de_castro

Seus desenhos à mão livre, feitos a pincel revelam a herança dos ensinamentos de Guignard: linhas limpas, sem sombra com movimentos objetivos. As relações entre a figura/fundo e a precisão/simplicidade contidas no conceito desta produção estão intrinsecamente relacionadas à suas esculturas.

http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=564

http://www.institutoamilcardecastro.com.br/

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