II – As Tintas


            Uma das tintas mais empregadas pelos desenhistas europeus do passado é a tinta feita com a noz de Gália, que era cozida e adicionada ao vitriol (sulfato de ferro), à goma arábica ou ao óleo de terebintina. Essa tinta, no seu frescor, é de um negro absoluto, mas, com o decorrer do tempo, passa do negro ao marrom ou mesmo ao amarelo, progressivamente oxidando a superfície onde se encontra, alterando características que permitem seu reconhecimento nos desenhos antigos.

O nanquim, produzido com preto de fumo, cola e água, foi usado no desenho mais freqüentemente como aguada do que como tinta; o bistre, produzido com a fuligem de madeiras especiais, não foi empregado a não ser como tinta. Desses dois materiais, o primeiro é de um negro fixo e inalterável, o segundo é uma tinta marrom, numa ampla gama de castanhos, sujeitos a empalidecer sob a ação prolongada da luz; nenhuma delas ataca ou altera o papel.

O nanquim e o bistre serão largamente trabalhados no próximo capítulo.

O desenho antigo utilizou ainda outras tintas de diversas cores: o vermelho à base de cinabre[1], o azul feito a partir do índigo e o branco da cerusa[2]; o violeta que mistura o cinabre e o índigo, o verde obtido do suco de arruda, o verde-cinza[3], misturado ao açafrão, e todas as cores que podiam ser moídas sobre o mármore e diluídas na água com goma, criando líquidos colorantes a serem utilizados com penas ou pincéis pelos desenhistas.


[1]Cinabre 1  – s. m. || (quím.) sulfeto vermelho de mercúrio. || Cor rubra muito viva. || V. mínio. F. lat. Cinnabaris.

[2] Cerusa – Quím. Pigmento branco, constituído por carbonato de chumbo ou de cálcio; ALVAIADE; BRANCO DE CERUSA; BRANCO DE PRATA

[F.: Do fr. céruse.]

[3] Vert-de-gris (originalmente, verde da Grécia). É obtido a partir da oxidação do cobre.

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Uma resposta para “II – As Tintas

  1. Como se faz, ou qual a origem do índigo?

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