O desenho a pincel

Talvez o pincel tenha no desenho um papel essencial, seja quando substituiu as pedras ou quando ele é usado com outros elementos. Úmido ou seco, redondo ou chato usado em largas superfícies de cores ou rivalizando em minúcia com a pena, é muito flexível nas variações que permite ao desenhista.
O desenho a pincel é um instrumento de todos os tempos. Está presente nos papiros egípcios, nos vasos gregos, nas miniaturas, nas decorações de todos os tipos. No Renascimento, seu uso vai ser fundamental nas construções em esfumato, onde se pode constatar que além de gestos expressivos o desenho é também exercício construtivo para o entendimento da luz e da sombra.

Nota: temos um jeito de pensar o desenho como gesto expressivo, mas o desenho é também exercício construtivo, para entendimento da luz e sombra.

EVOLUÇÃO DO DESENHO A PINCEL

É na Itália que podemos seguir a evolução do desenho a pincel, seu desenvolvimento se confunde com o desenho das aguadas. Se em Florença ele não foi muito utilizado a não ser em alguns estudos de Paolo Uccello (1397-1475) e Fra de Bartollomeu (1472-1517), em Veneza o desenho encontra uma atmosfera favorável ao seu desenvolvimento. Carpaccio (1460-1520) representa um ponto de partida de uma evolução que chega em Ticiano (1485-1576), Tintoretto (1518-1594) , Guardi (1712-1793), Canaletto (1697-1798) e Tiepolo (1696-1770). E é na cidade das Lagunas durante sua viagem a Itália, que Dürer (1441-1528) incorpora este instrumento ao seu trabalho. Essa técnica, que ele faz sua, elevando ao mais tocante virtuosismo, vai propiciar traços extremamente finos, como podemos ver em seu famoso desenhos das mãos em oração. Dele também, quinze anos mais tarde são as incríveis aquarelas que só os modernos irão repetir e que o torna como uma espécie de precursor do pincel como instrumento do desenho.

Albrecht_Dürer_-_Praying_Hands,_1508_-_Google_Art_Project

“Mãos em Oração” (1508) [tradução livre], Albrecht Dürer, Albertina.

 

No século XVII, Claude Lorrain (1600-1682) é um admirável praticante do pincel. Ele pode ser muito atento num trabalho com a pena, construindo figuras sólidas, mas é com o pincel leve, que ele anota aspectos fugidios da paisagem. Quando opõe grandes massas construindo com pinceladas largas e tonais podemos aproximar seu desenho das anotações impressionistas.

Claude_Gellée,_called_Le_Lorrain_-_View_of_the_Tiber_at_Rome_-_Google_Art_Project

“Vista do Tibre em Roma” (1635-1640) [tradução livre], Claude Lorrain, The Nelsons-Atikins Museum of Art.

 

Ainda no mesmo século, é impossível não mencionar o nome de Rembrandt (1606-1669). Nesse caso, o pincel é usado tanto de maneira pura, como no famoso desenho da menina recurvada, realizado com pincel meio seco e meio úmido, que faz crer que sofreu influência do desenho japonês, quanto no uso particular que faz do pincel auxiliar do desenho a pena. A fisionomia particular de seus desenhos teve muitos imitadores, não só na Holanda como na França, onde Fragonard (1732-1806) fez uso de padrões rembrandtianos para desenhar cenas leves e movimentadas, cheia de graça e vigor.

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