Os realces de guache e papéis em meia tinta

A fim de aproximar o desenho características pictóricas, desde o Renascimento, costumou-se trabalhar a pincel sobre papéis preparados em tons médios, realçados com branco. Esse método tornou-se bastante eficiente para aproximar o desenho da lógica da pintura.
Esse método de desenho, atento ao relevo, começa a ser praticado em Florença no começo do século XIV. É Cennino (1370-1440) mais uma vez que nos ensina: ”Quando você tiver localizado tuas sombras a aquarela, reserve um canto para as meias tintas e realce as luzes com branco”.
Mais tarde Leonardo (1452-1519) escreve em seu suposto Tratado de Pintura: “para desenhar em relevo, os pintores devem aplicar uma meia tinta sobre a superfície de um papel de modo a localizar as sombras mais escuras e depois o lugar das luzes principais.”
Essa camada aplicada ao papel para a realização do desenho em relevo possui na verdade uma dupla função. Além da já descrita também reveste a massa do papel, muitas vezes macio e mau encolada, permitindo assim que ela receba os traços de uma ponta de prata ou os golpes de uma pena. Isso é um exemplo de toda uma “tecnologia” do desenho que vai se desenvolver muito a partir desse período.
As novas demandas e as novas agendas do desenho serão responsáveis pela disseminação de muitos métodos de tingimento, polimento, encolagem, nas mais diversas preparações do papel, que terá cada vez mais uma presença marcante nos diversos ateliês, cumprindo também uma importante função pedagógica no aprendizado dos novos desenhistas.
A prática do desenho realçado torna-se bastante comum no século seguinte, na época de Vasari, pois é o método mais eficiente para trabalhar os modelos luminosos. Na escola alemã, esses procedimentos começam a ser muito utilizados no mesmo período e atingem um raro grau de perfeição nos desenhos de Matthias Grünewald (1470-1528) e Albrecht Dürer (1441-1528) , por exemplo.
Como pensamento gráfico, os procedimentos de realce e dos papéis preparados incorporam-se ao vocabulário do desenho em praticamente todas as escolas nacionais, a partir de então, ganhando formas inusitadas nos séculos XIX e XX, sempre em profícuo diálogo com a pintura.

Albrecht_Dürer_-_Study_of_Two_Feet_-_Google_Art_Project

“Estudo de dois pés” (aprox. 1508) [tradução livre], Albrecht Dürer, 21,6×17,6 cm, Museum Boijmans Van Beuningen

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