A contra-prova

No livro de Jombert[1], do Século XVIII, sobre procedimentos de desenho, somos instruídos sobre como fazer uma contra-prova.

Nós devemos molhar o verso do desenho pronto com uma esponja bastante limpa, tomando cuidado para que a água não passe para o outro lado. Estando o papel suficientemente úmido, colocar por baixo um papel branco do mesmo tamanho e com mesmo grau de umidade, fazendo passar em seguida os dois papéis por uma prensa de talho doce. Assim se pode tirar uma contra-prova, onde a sanguínea vai aderir ao papel em que ela foi desenhada impedindo que borre. Além disso, obtemos no papel branco uma cópia do desenho original, ainda bastante nítida, mesmo que mais suave.

Também se fez contra-provas a partir de desenhos realizados à pedra negra, onde o tom é ainda mais suave pela dureza do material. A operação, como podemos ver, cumpre um duplo papel: fixar o desenho e copiá-lo. Algumas pessoas preferem a contra-prova por ser mais suave, delicada. Mas acredita-se que uma boa contra-prova não é menos preciosa que um desenho original – como uma prova única de uma gravura. Esse processo, aliás, foi bastante utilizado no período para transportar desenhos sobre o verniz de água forte, como podemos atestar nos estudos preparatórios que Goya nos deixou para gravar seus Caprichos.

 

 

 

 

 

 

 


[1] JOMBERT – Méthode pour apprendre le dessin. Paris, 1755

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