O Grafite

Mesmo que conhecido e explorado na Alemanha desde o século XVI, o grafite serviu no início como instrumento de escrita e foi durante muito tempo ignorado pelos artistas. A descoberta das minas de grafite de Borrowdale e Cumberland em 1654 marcou, senão propriamente o começo da sua história, o ponto de partida de sua difusão. Na origem, se utilizava o grafite do modo como ele saia da mina, serrando os blocos de minerais.

Em 1794, a guerra interrompeu o comercio entre a França e a Inglaterra. Foi então que Carnot, em nome do conselho das Minas da República, confiou a um sábio francês, que havia se destacado em várias invenções, Nicolas-Jacques Conté, o papel de pesquisar um bastão artificial, suscetível de substituir os bastões de grafite de Cumberland. Ao contrário dos longos e reiterados esforços anteriores para criar minas artificiais mais regulares, Conté resolveu o problema adicionando argila como base das misturas, que veio se mostrar como um aglutinante ideal. Misturada ao grafite pulverizado e submetido a diferentes cozimentos, obtinha-se um material colorante duro e com resistências variáveis, de onde saia um crayon com traço mais negro, mais limpo e menos brilhante que aquele natural. Melhor ainda, variando as proporções de argila e as temperaturas de cozimento, obtinham-se diferentes graus de cor e dureza. Completando esses esforços, Conté desenha o cilindro de madeira envolvendo as minas, com isso inventando o lápis moderno.

A fórmula do lápis grafite moderno estava descoberta. Este método foi melhorado mais tarde por Humblot, genro de Conté, e foi adaptado na Áustria por Hardmuth e na Baviera por Faber. Nomes até hoje ligados aos bons lápis encontrados no comércio. Com essa nova forma, o lápis grafite, até então usado basicamente para escrita e parcialmente aplicado pelos artistas, conheceu o sucesso universal.

Ingres, com seus retratos e estudos de nus, inaugura um tipo de desenho totalmente novo, onde a presença do grafite é fundamental. É um exemplo muito significativo da influência de um procedimento técnico na evolução de uma arte. De certo modo, o tom prata suave e controlado proporcionado pelo grafite, traduzia para Ingres o tipo de luminosidade que ele buscava em sua pintura e foi assim seu instrumento de desenho por excelência.

A obra de Ingres cria toda uma escola e o grafite começa a ser usado para todos os gêneros de anotação gráfica tornando-se sinônimo de desenho, do séc. XIX em diante. É impossível, desde então, encontrar um artista que não tivesse utilizado esse instrumento. Seu caráter portátil, a facilidade de produzir anotações e sua fácil manutenção vai torna-lo um material indispensável.

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