O Pastel

Fabricação do giz pastel:

A sanguínea dotou o desenho de um elemento novo: a cor incorporada ao traço. O pastel veio trazer um enriquecimento a essa policromia linear e contribuiu ainda para o desenvolvimento de tendências pictóricas no que tange ao desenho.

Muitos autores antigos deram receitas da fabricação dos pastéis, advindas dos procedimentos adotados pelos artistas. Uma das primeiras que temos notícia se encontra numa obra francesa intitulada “Syntaxeon Artis mirabilis de Gregorius”, escrita em 1574, onde se lê: “Os pintores fazem crayons de cor em forma de cilindro, criando-os com uma mistura de cola de peixe, goma arábica e mel de figo, que vai melhor no meu entender, com um pouquinho de leite. Desse modo, os crayons ficam mais macios e os outros sem leite marcam e arranham o papel.”

Outra receita, que chegou até nós, foi dada por um autor do séc. XVIII, para fazer crayons de pastel “excelentes e tão firmes como sanguínea”: “…pegue a terra branca preparada como as que se usam para fazer cachimbos, que você vai moer sobre o almofariz, misturando um pouco de água comum, de tal forma que se torne uma pasta; escolha as cores que quiser, que também devem ser moídas do modo mais fino que se puder. Depois, deve peneirar tudo com um tafetá ou tela muito fina, para obter assim toda cor que você precisar. De acordo com o seu desejo, misture mais ou menos pigmento, criando minas mais ou menos intensas, junte um pouco de mel comum e de água com goma arábica, delicadamente. É preciso, para cada cor que você faça, bastões mais ou menos escuros para criar seus claros e as sombras. Depois, pegue cada uma de suas pastas transformando-as em cilindros tão grossos quanto um dedo, rolando-os entre duas placas de madeiras ou cartões, como aqueles destinados à colocação dos livros na prensa para encadernação e deixe secando por dois dias sobre um  papel na sombra. Para terminar de secá-los, expor ao sol ou próximo ao fogo e, estando secos, sirva-se deles com satisfação.”

Somente a partir do século XVII, começaram a existir estabelecimentos especializados em materiais de desenho, pintura e gravura. Antes disso, todos os materiais deveriam ser preparados pelo ateliê ou artista. Assim, podemos dimensionar melhor a importância dos manuais, que começam a ser escritos cada vez mais frequentemente a partir do Renascimento.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s