Sanguínea

É uma argila ferruginosa, cujo tom pode variar do vermelho claro ao escuro, passando pelos violáceos, sendo conhecida e usada por toda a Antiguidade e Idade Média.

Cennino Cennini fala das sanguíneas “como pedras muito fortes, sólidas, compactas e perfeitas para o desenho”. Ele também nos relata que esta cor foi muito utilizada como preparação para os afrescos, o que ficou conhecido como sinopia[1].

O desenho a sanguínea moderno tem seu berço em Florença. Vai ser muito bem acolhida tanto em Veneza do século XVI quanto, por exemplo, na França onde Jean Fouquet (colocar exs) fará seus retratos a sanguínea. Existem exemplos brilhantes de desenhos feitos à sanguínea desde Leonardo e Andrea Del Sarto, até dois séculos mais tarde em Watteau, nos muitos cadernos temáticos que ele nos legou com estudos de roupas, paisagens, cenários e figuras para as pinturas que iria realizar (colocar exs).

Os primeiros ensaios a sanguínea de Leonardo são de 1473 e são todos esboços rápidos. Alguns anos mais tarde, continua a utiliza-la, inclusive para estudos mais acabados. Pode-se dizer que foi o único material que utilizou durante toda a vida. Seu exemplo vai ser fundamental para que o uso das sanguíneas se generalize por toda a Itália. Não sendo diferente com Michelangelo, que desenhou os estudos para a capela sixtina à sanguínea ou Rafael que neste mesmo período trabalhou quase que exclusivamente com este material.

No século XVII, ela continuará a ser usada principalmente nos esboços e croquis de toda a ordem. No XVIII, podemos ainda reencontra-la na escola de Tiepolo, que dá preferência por seu uso sobre papel azul.

Na França do século XVIII, além de Watteau, outros grandes desenhistas como Bouché, Greuze e Fragonard (exs.) usaram a sanguínea, produzindo numerosos desenhos esfumados e trabalhando principalmente com as massas em detrimento das linhas. O reinado da sanguínea termina no século XVIII, quando seu uso para esboços começa a ser substituído pelo carvão e pelos lápis grafite.

 


[1] Espécie de primeiro esboço da pintura Afresco feita na camada mais grossa com pigmento sanguíea antes que essa receba a massa fina sobre a qual vão ser  depositadas as cores. Com essa primeira camada se pretendia projetar o afresco, que é uma pintura definitiva.

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